Economia

Açaí escapa do tarifaço de Trump e preserva um dos principais mercados da Amazônia

Fruta símbolo da região Norte ficou de fora da sobretaxa de 50% anunciada pelos Estados Unidos para parte das exportações brasileiras. A decisão evita um impacto imediato sobre uma cadeia produtiva que movimenta milhares de famílias e tem no Amapá um de seus principais polos de produção.

No meio da extensa lista de produtos brasileiros atingidos pelo novo pacote tarifário anunciado pelo governo dos Estados Unidos, uma ausência chamou a atenção de produtores, exportadores e empresários da Amazônia. O açaí, um dos alimentos brasileiros que mais conquistaram espaço no mercado internacional nas últimas décadas, ficou de fora da sobretaxa de 50% imposta pela gestão do presidente Donald Trump.

A decisão representa um alívio para um setor que vem ampliando sua presença no exterior. Consumido há gerações como alimento tradicional na Região Norte, o açaí deixou de ser um produto essencialmente regional para se transformar em um fenômeno global, presente em cafeterias, redes de alimentação, supermercados e lojas especializadas em diversos países, especialmente nos Estados Unidos, hoje um dos principais destinos da produção brasileira.

A manutenção da isenção tarifária preserva a competitividade do produto no mercado americano e reduz o risco de aumento de preços para consumidores e importadores, que poderiam buscar fornecedores de outros países caso o fruto brasileiro passasse a enfrentar um custo adicional de exportação.

No Amapá, a notícia tem um significado ainda maior. O estado é o segundo maior produtor de açaí do Brasil, atrás apenas do Pará, e o fruto representa uma das principais atividades da bioeconomia local. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Amapá produziu cerca de 22 mil toneladas de açaí em 2024, movimentando aproximadamente R$ 65 milhões. A produção ocupa cerca de 1.760 hectares e garante renda para milhares de famílias, especialmente em comunidades ribeirinhas e áreas de várzea, onde o manejo do açaizal faz parte da cultura e da economia regional.

O açaí deixou de ser um simples alimento e tornou-se um ativo econômico estratégico para a Amazônia. Nos últimos anos, cooperativas e agroindústrias passaram a investir em rastreabilidade, certificações e processamento de maior valor agregado, como polpas congeladas, concentrados e produtos liofilizados, ampliando a presença da fruta em mercados internacionais cada vez mais exigentes.

A exclusão do açaí da lista de produtos tarifados também tem um peso simbólico. Enquanto diversos itens do agronegócio e da indústria brasileira passaram a enfrentar barreiras comerciais mais rígidas, um dos maiores representantes da biodiversidade amazônica manteve acesso ao maior mercado consumidor do mundo sem a nova sobretaxa.

Especialistas avaliam que a decisão pode estar relacionada à forte demanda já consolidada nos Estados Unidos e à dependência do mercado norte-americano do açaí brasileiro, reconhecido internacionalmente pela qualidade e pela capacidade de abastecimento em larga escala. Ainda assim, o setor acompanha com atenção as negociações entre os dois países, já que medidas comerciais podem ser revistas ou ampliadas.

Para os produtores da Amazônia, a permanência fora da lista representa muito mais do que uma vitória comercial. Significa preservar empregos, investimentos e um mercado que ajudou a transformar um fruto tradicional da floresta em um dos produtos brasileiros mais conhecidos no exterior.

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