Cidades

O Amapá continua sendo o estado mais violento do Brasil

Atlas da Violência 2026 mostra que o estado lidera, mais uma vez, o ranking nacional de homicídios proporcionais à população. A taxa de mortes é mais que o dobro da média brasileira e reforça um problema que persiste há anos.

O Amapá segue ocupando uma posição que nenhum estado gostaria de liderar. Com 45,7 homicídios por 100 mil habitantes, o estado aparece novamente em 1º lugar no ranking nacional de violência letal, de acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O índice coloca o Amapá à frente da Bahia (40,9 homicídios por 100 mil habitantes), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3), estados historicamente associados aos maiores problemas de segurança pública do país.

Embora tenha sido publicado em 2026, o Atlas apresenta os dados consolidados de 2024, último ano com informações validadas pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. A defasagem de dois anos é uma característica da metodologia adotada pelo estudo, que depende da consolidação e do cruzamento de dados para garantir maior confiabilidade às estatísticas. Ainda assim, o relatório é considerado a principal referência nacional sobre a evolução da violência no Brasil.

O dado que mais chama atenção é a distância entre o Amapá e a média nacional. Enquanto o estado registrou 45,7 homicídios por 100 mil habitantes, o Brasil apresentou uma taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024. Em outras palavras, o risco de uma pessoa ser assassinada no Amapá é mais de duas vezes superior ao observado no conjunto do país.

A diferença torna-se ainda mais expressiva quando a comparação é feita com os estados considerados mais seguros. São Paulo registrou taxa de 6,6 homicídios por 100 mil habitantes, Santa Catarina 8,1 e o Distrito Federal 10,3. Proporcionalmente, um morador do Amapá está exposto a um risco de homicídio quase sete vezes maior do que um paulista.

A liderança do ranking vai além de ser mais um dado estatístico evidencia que a violência letal continua sendo um dos principais desafios estruturais do estado. Permanecer na primeira colocação significa que, proporcionalmente ao tamanho de sua população, nenhum outro estado brasileiro registra tantas mortes por homicídio quanto o Amapá.

O Atlas também mostra que a violência continua atingindo, principalmente, a população jovem. Em todo o Brasil, 19.801 pessoas entre 15 e 29 anos foram assassinadas em 2024, uma média de 54 mortes por dia. A taxa de homicídios nessa faixa etária chegou a 42,2 por 100 mil habitantes, alcançando 78 homicídios por 100 mil entre os homens jovens. Outro dado preocupante é que 84,1% dos adolescentes de 15 a 19 anos assassinados no país morreram por disparos de arma de fogo.

Além da violência letal, o estudo reforça que mulheres, negros, indígenas e outros grupos vulneráveis continuam sendo os mais impactados pela criminalidade. O Atlas aponta que, embora os homicídios femininos tenham apresentado oscilações ao longo da última década, os assassinatos ocorridos dentro das residências permanecem em patamar elevado, evidenciando que a violência doméstica continua sendo um dos principais desafios da segurança pública brasileira.

No caso do Amapá, o levantamento retrata um estado que, há anos, convive com índices de violência muito superiores à média nacional. Permanecer na liderança desse indicador significa que o desafio não se limita ao enfrentamento da criminalidade, mas envolve também políticas permanentes de prevenção, fortalecimento das instituições de segurança, redução das desigualdades e ampliação das oportunidades para a população mais vulnerável.

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