O mapa da eleição: por que liderar em todos os municípios do Amapá pode ser o dado mais importante da pesquisa Real Time Big Data
Em eleições estaduais, vencer na capital costuma ser fundamental. Mas conquistar a liderança em todos os municípios é um feito raro. A pesquisa Real Time Big Data mostra que, neste momento, Dr. Furlan ultrapassa as fronteiras de seus redutos tradicionais e constrói uma vantagem distribuída por todo o território amapaense.
As pesquisas eleitorais normalmente chamam atenção pelos percentuais gerais. No levantamento divulgado pela Real Time Big Data, por exemplo, Dr. Furlan (PSD) aparece com 66% das intenções de voto, contra 30% do governador Clécio Luís (União Brasil), no cenário estimulado para o Governo do Estado.
Mas um olhar mais atento sobre os dados revela um aspecto talvez ainda mais significativo do que a diferença de 36 pontos percentuais: o ex-prefeito de Macapá lidera em todos os recortes regionais da pesquisa, o que significa que aparece à frente também em Macapá, Santana e no conjunto dos demais municípios do estado.
Embora o instituto apresente os números agregados por regiões — Macapá, Santana e demais cidades —, o levantamento indica um desempenho geograficamente abrangente, sem que Clécio Luís consiga assumir a liderança em qualquer um desses recortes.
A força de um candidato sem “ilhas” eleitorais
Na política, é comum que parte dos candidatos concentrem sua força em determinadas regiões.
Há lideranças que dominam o sul do estado, outras que possuem maior influência no norte, enquanto algumas constroem seu desempenho quase exclusivamente em Macapá ou Santana. É uma característica de um estado onde os vínculos locais, os prefeitos e as lideranças municipais tradicionalmente exercem grande influência sobre o eleitorado.
A pesquisa da Real Time Big Data aponta um cenário diferente.
Em Macapá, maior colégio eleitoral do estado, Dr. Furlan registra 76%, contra 22% de Clécio Luís. Em Santana, segundo maior município, a vantagem permanece confortável: 66% a 32%. Já no agrupamento formado pelos demais municípios, Furlan continua na dianteira, com 46%, enquanto o governador aparece com 44%.
É justamente esse último dado que chama atenção.
Embora a diferença seja pequena no interior, ela demonstra que o candidato do PSD não depende exclusivamente da força eleitoral de Macapá para sustentar sua liderança estadual.
Nem os aliados mudam o cenário
Outro aspecto relevante é que essa vantagem aparece inclusive em municípios administrados por prefeitos alinhados politicamente ao governador.
Santana é o exemplo mais evidente.
O prefeito Bala Rocha integra o grupo político de Clécio Luís, mas, mesmo assim, a pesquisa mostra Furlan abrindo 34 pontos de vantagem no município (66% a 32%).
O dado sugere que, pelo menos neste momento da campanha, o eleitorado parece diferenciar as alianças municipais da escolha para o Governo do Estado.
A liderança atravessa diferentes perfis do eleitorado
O mapa geográfico não é o único que favorece o ex-prefeito.
Os números mostram que Furlan lidera em praticamente todos os segmentos analisados pelo instituto.
Entre os jovens de 16 a 34 anos, alcança 72%, contra 24% de Clécio Luís. Na faixa de 35 a 59 anos, aparece com 63%, enquanto o governador registra 31%. Mesmo entre eleitores com 60 anos ou mais, segmento em que a disputa costuma ser mais equilibrada, Furlan mantém a dianteira por 57% a 41%.
A vantagem também aparece entre homens e mulheres e em todas as faixas de renda pesquisadas, indicando um eleitorado distribuído socialmente, e não concentrado em um único perfil.
Um desafio para quem está no governo
Para qualquer governador que busca a reeleição, a estratégia costuma passar pela interiorização da campanha.
É nas cidades menores que a máquina pública, as obras, os convênios e a relação com as prefeituras costumam produzir dividendos eleitorais importantes.
Quando a pesquisa mostra que o adversário consegue manter vantagem também fora da capital, o desafio se torna maior.
Clécio Luís não precisa apenas reduzir a diferença em Macapá. Precisa construir competitividade em regiões onde, tradicionalmente, governadores costumam encontrar maior respaldo político.
O que o mapa revela
Pesquisas eleitorais são retratos de um determinado momento. A campanha ainda está em andamento, haverá debates, programas eleitorais, alianças e fatos capazes de alterar o comportamento do eleitor. Mesmo assim, alguns indicadores costumam ter peso especial.
Liderar em um município importante é relevante. Liderar na capital é estratégico. Mas liderar simultaneamente em Macapá, Santana e no conjunto dos demais municípios do estado revela algo mais profundo: a construção de uma candidatura sólida e com alcance estadual.
