El Niño deve mudar o clima no Amapá nos próximos meses
Órgãos meteorológicos projetam um segundo semestre com redução das chuvas e temperaturas acima da média na Amazônia. No Amapá, a Defesa Civil já acompanha o fenômeno e prepara ações preventivas diante do risco de estiagem e queimadas.
O Amapá já começou a se preparar para um cenário que pode marcar o segundo semestre de 2026. Com a consolidação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico, órgãos de monitoramento climático projetam um período com menos chuvas, temperaturas acima da média e maior risco de queimadas na Amazônia. No estado, a Defesa Civil já acompanha os prognósticos para antecipar medidas de prevenção caso a estiagem se intensifique.
A preocupação não é por acaso. Nos últimos episódios do El Niño, especialmente entre 2023 e 2024, o Amapá enfrentou uma das estiagens mais severas dos últimos anos, com aumento expressivo dos focos de incêndio, fumaça em diversos municípios, prejuízos para produtores rurais e impactos sobre comunidades ribeirinhas.
Desta vez, embora os especialistas ainda não consigam prever a intensidade dos efeitos, a probabilidade de repetição de um cenário de seca acima da média já mobiliza órgãos federais e estaduais.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o El Niño já está estabelecido e deve permanecer ativo durante os próximos meses. As projeções climáticas indicam que o trimestre formado por julho, agosto e setembro deverá registrar chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal em parte da Região Norte, cenário que favorece a intensificação da estiagem e aumenta o risco de incêndios florestais.
As projeções são reforçadas por uma nota técnica conjunta elaborada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), INMET, Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). O documento aponta mais de 95% de probabilidade de permanência do El Niño durante o segundo semestre e recomenda o monitoramento contínuo dos impactos meteorológicos e hidrológicos em todo o país.
O cenário também é acompanhado pelo Painel El Niño 2026/2027, coordenado por instituições como CEMADEN, ANA, INPE, INMET e Defesa Civil Nacional. O boletim destaca que estados da Amazônia devem reforçar medidas de prevenção diante dos possíveis impactos sobre recursos hídricos, agricultura, incêndios florestais e saúde pública.
No Amapá, a Defesa Civil Estadual informou que monitora continuamente os prognósticos climáticos para orientar ações preventivas antes do auge da estiagem. O objetivo é reduzir os impactos sobre a população e ampliar a capacidade de resposta caso o estado enfrente um novo período de seca intensa.
O que pode acontecer
Caso as projeções se confirmem, o Amapá poderá enfrentar um conjunto de impactos já conhecidos pela população:
- redução das chuvas;
- temperaturas acima da média;
- queda da umidade relativa do ar;
- aumento do risco de queimadas e incêndios florestais;
- dificuldades para a agricultura familiar e a pesca;
- piora da qualidade do ar em caso de aumento da fumaça.
Os especialistas ressaltam, porém, que o El Niño não provoca queimadas diretamente. O fenômeno cria condições mais secas que favorecem a propagação do fogo, enquanto a maior parte dos incêndios continua sendo causada por ações humanas.
Ainda há incertezas
Apesar da alta confiança na permanência do El Niño, os meteorologistas ressaltam que ainda não é possível afirmar se o Amapá enfrentará uma estiagem tão severa quanto a registrada em 2023 e 2024.
Isso porque a intensidade dos impactos depende também de outros fatores climáticos, como a temperatura do Oceano Atlântico Tropical e a circulação atmosférica sobre a Amazônia. Em outras palavras, os modelos conseguem indicar uma tendência de tempo mais seco e quente, mas ainda não permitem estimar com precisão o volume de chuva que deixará de cair ou o tamanho dos impactos sobre o estado.
Prevenção antes da estiagem
Mesmo diante das incertezas, a estratégia adotada pelos órgãos de monitoramento é agir com antecedência.
O acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas permite orientar ações de prevenção, fortalecer o combate às queimadas e preparar os municípios para responder rapidamente caso a estiagem se intensifique.
