Cultura

Curta amapaense leva vozes da Amazônia para um dos principais festivais de cinema de São Paulo

‘Solo Agridoce’, dirigido por Jéssica Thaís, foi selecionado para o Santos Film Fest e reforça o protagonismo do audiovisual produzido no Amapá no circuito nacional de festivais.

O cinema produzido no Amapá acaba de conquistar mais um importante espaço no cenário nacional. O curta-metragem “Solo Agridoce”, dirigido por Jéssica Thaís e produzido pela Paneiro Produções, foi selecionado para a programação oficial da 12ª edição do Santos Film Fest, considerado o maior festival de cinema do litoral paulista. A exibição acontecerá entre os dias 18 e 26 de agosto, em Santos (SP).

A seleção coloca mais uma produção amapaense em evidência e mostra o crescimento do audiovisual feito na Amazônia, que nos últimos anos vem conquistando espaço em festivais brasileiros por meio de histórias ligadas ao território, à identidade e às tradições da região.

Lançado em novembro de 2025, “Solo Agridoce” foi viabilizado com recursos da Lei Paulo Gustavo e reúne uma equipe formada majoritariamente por mulheres. O curta experimental entrelaça poesia, performance e memória coletiva para construir uma narrativa sobre ancestralidade, pertencimento e resistência.

Narrado por mulheres negras, quilombolas e urbanas, o filme percorre cenários emblemáticos do Amapá, como Curiaú, Maruanum, Mazagão e Macapá, dando voz a histórias, saberes e experiências que ajudam a preservar a memória e a cultura afro-amapaense. A obra aposta na oralidade feminina como elemento central da narrativa e transforma paisagens amazônicas em parte da construção poética do filme.

Para a equipe, a participação no festival representa uma oportunidade de apresentar a riqueza cultural do estado para novos públicos. O diretor de fotografia do curta, Halyson Chaves, destacou que a seleção valoriza as vivências, os territórios quilombolas e os saberes das mulheres retratadas no filme, ampliando o alcance da cultura produzida no Amapá por meio do cinema.

Mais do que uma conquista para a equipe de “Solo Agridoce”, a seleção simboliza um momento positivo para o audiovisual amapaense. Em um mercado ainda concentrado nos grandes centros do país, produções independentes da Amazônia vêm conquistando reconhecimento ao apresentar histórias originais e profundamente ligadas às identidades locais.

Agora, além de representar o Amapá em um dos principais festivais de cinema de São Paulo, “Solo Agridoce” também leva para as telas um retrato sensível da ancestralidade, da cultura e da força das mulheres negras amazônicas, mostrando que o cinema produzido na região tem cada vez mais espaço para dialogar com o Brasil.

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